sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Couraça de Sabão

Hoje pensei: "Vou falar bem da minha cidade", mas é loucura o que acontece por aqui.


Minha faculdade fica na Orla, bem de frente pro mar e bem na parte revitalizada dela, tem iluminação, ciclovia, quadras esportivas, barraquinhas de cocô e acarajé, estacionamento e parece ser bem segura - opa! Começamos bem, mas outro dia uns flanelinhas mataram um estudante por causa de R$ 3,00, nem tão bem.

Eu moro de frente pro mar também, só que na minha parte da orla (pituba), como em 90% dela, não há estrutura alguma. Estou distante uns 2 km da faculdade e ontem tive a estúpida idéia de caminhar pela mesma até a minha gloriosa instituição, normalmente uso as ruas paralelas à praia. O que testemunhei não é para os fracos.


Os leitores (quem?) devem estar dizendo: "Esse vagabundo de papel mora de frente pro mar de Salvador e fica reclamando de tudo blábláblá". Mas o papo é sério, Salvador está um abandono de dar dó, estão empilhando carros, cimentando tudo desfreadamente e a orla lá, apodrecendo.



E lá fui eu, testemunhar atrocidades de uma cidade que se diz, enumerando por ordem de aparição:
1. Cachorro morto em matagal anterior à faixa de areia.
2. Horda de ratos escapulindo da carcaça do clube português e passeando pela areia tranquilamente.
3. Sem-teto nua, enlouquecendo com umas crianças.
4. Vaso sanitário quebrado jogado no mar e as ondas quebrando lentamente sobre o trono.

E então cheguei à faculdade, nauseado e triste.

Ei marujo!

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